CIDADE UNIVERSITÁRIA, 16 DE MARÇO DE 2026
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PÁSSARO LIVRE
A Universidade de São Paulo (USP) recebeu seus novos ingressantes com mensagem honesta e verdadeira para bons entendedores que foram sorteados pela FUVEST.
A campanha de recepção foi elaborada por um grupo de alunas da ECA que enviaram a proposta “voar mais alto” para a USP. A universidade, ao receber a proposta, submeteu à aprovação reitoral.
O reitor, em sua torre-sombria tolkieniana, enquanto observava pela janela a briga de quero-queros na praça do relógio e escutava “Pássaro Livre”, da Shirley Carvalhaes, decidiu pela proposta, porém alterando, conforme conselho da área jurídica, para “É sua vez de voar mais alto”. O “É sua vez” eximia a USP de qualquer compromisso colocando a responsabilidade por “voar mais alto” unicamente no próprio ingressante. Seguindo o lema kantiano, cada indivíduo deve assumir sua autonomia. Ou, como colocou o reitor no trecho final do despacho da decisão: “...como diz no filme do Wagner Moura que deveria ganhar o Oscar: ‘cada cachorro que lamba sua cac*ta!’ ”.
TERCEIRA FASE DA FUVEST
O Instituto de Relações Internacionais da USP (IRI-USP) anunciou que terá Provas de Competências Específicas para o ingresso no curso de Relações Internacionais.Com a demanda alta pelo curso de RI, cuja principal profissão se dá via concurso público, independentemente da graduação, o instituto se viu na obrigação de criar mais uma etapa no processo. Agora, os estudantes terão que fazer 15 minutos de stand-up comedy como 3ª fase do vestibular da Fuvest. Segundo a justificativa do diretor, “quem quer RI tem que fazer rir”.
OS OVOS DO REITOR
Após o bônus natalino, conhecido como “Peru de Natal”, não ter sido pago aos funcionários da USP, a nova esperança, e muitos boatos, seriam os “Ovos do reitor”, um bônus de páscoa para compensar o não pagamento da bonificação natalina.
“Já que o peru não veio, agora a esperança são os ovos do reitor”, relatou um funcionário do Hospital Universitário (H.U.), que, por conta da restrição orçamentária da USP, atualmente trabalha no setor como único clínico geral, além de atendente, enfermeiro, segurança, serviços gerais e farmacêutico. Porém, no dia da presença da reportagem, o médico estava como paciente aguardando atendimento no H.U desde às 5 da manhã.
Segundo apuração da reportagem, o médico do dia estava afastado para consulta médica. E sobre os ovos, o reitor se recusou a responder nossa pergunta: “Magnífico Reitor, após o peru não ter entrado, o senhor promete liberar os ovos?”.
DOBRAR MIL GARÇAS
O Departamento de Letras Orientais (DLO) da USP cobra promessa da reitoria. Em nota oficial, o DLO declarou:
“Papéis ao vento
Chuva fria em fevereiro
Acordo mal feito"
Conforme e-mails obtidos pelo jornal O Saruê da Verdade, a universidade prometeu contratar dois professores para o curso de Letras, que seriam divididos entre as habilitações de Coreano, Chinês e Japonês. Em troca, os cursos teriam que produzir 22 mil origamis em formato de pássaros para o kit calouro 2026.
O DLO afirmou que, durante as férias, convocou seus 630 alunos e todos os três professores para produzir, em duas semanas, o “brinde”, e que, mesmo com apenas sete alunos moradores do Conjunto Residencial da USP (CRUSP) e um professor contratado atendendo ao chamado, todos os 22 mil origamis foram produzidos dentro do prazo. Por outro lado, a USP alega que o DLO utilizou trabalho dos alunos sem o devido cadastro no sistema Apolo (Sistema de Cultura e Extensão Universitária). Assim, o acordo não poderia ser cumprido por parte da universidade.
OS CRIMES DA RUA MORGUE
Os estudantes da Cidade Universitária da USP estão aterrorizados com a onda de roubos no portão de pedestres da Vila Indiana, que tem registrado 1 estudante assaltado a cada 30 minutos.
Na última semana, em 10 de março, 23 estudantes foram roubados em um único dia. “Era para eu ser o 24º estudante roubado no dia, mas os ladrões começaram uma discussão sobre ‘pegar o 24’ e ‘lá ele’, e desistiram de me roubar”, disse Henry Jones, 17 anos, estudante de História.
A Polícia Militar (PM-SP), que tem base no campus, foi procurada pelo jornal O Saruê da Verdade e, em resposta, afirmou ter conhecimento sobre o perigo da região. “Obrigado pelo aviso e preocupação com a gente, sabemos que o local é perigoso e já evitamos ir para aquela localidade. Em uma última ocorrência atendida lá, os pneus da viatura foram roubados com o veículo ainda em movimento. Quando o cabo Silva e o soldado Silva desceram para verificar o ocorrido, foram surpreendidos e tiveram todos os seus pertences roubados”, disse a PM-SP.
Um vigilante da empresa terceirizada, que falou ao jornal sob anonimato, disse que a guarda universitária se recusa a ficar no portão. “Sempre sobra para a gente ficar lá. E ninguém quer! Eu fiquei 7 dias lá, não aconteceu nada, o que comecei achar estranho... Um dia cheguei em casa mais cedo e peguei minha mulher com outro! Pelo que descobri, o vagabundo era um dos que faziam assaltos no portão… eu preferia que tivessem roubado só meu Samsung, mas acabou levando minha Leidiane”, contou Reginaldo Rossi (nome fictício).
A Reitoria da Universidade respondeu em nota: “Já estamos estudando medidas. Nosso time da FEA-USP calculou que se reduzirmos a saída de alunos para 1 aluno saindo pelo portão a cada hora, poderíamos reduzir em 50% o número de assaltos.”
NOTA DO DIRETOR: Obrigado, pessoas editoras, revisoras e financiadoras (apoia.se/osaruedaverdade)!
[1] Apoiamos os movimentos “Pudim no Central!” e “Vereador faça fuvest!”.
[2] Edição fechada antes da grande crise hídrica.
