CIDADE UNIVERSITÁRIA, 12 DE JUNHO DE 2026
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NOTA DO DIRETOR
Nesta edição especial de dia dos namorados 2026, abrimos, novamente, o espaço para as pessoas leitoras do jornal, apaixonadas, iludidas, etc.
Respondemos dúvidas, damos conselhos, analisamos histórias, publicamos as “cantadas”, noticiamos fatos verdadeiros.
Amores líquidos
“Por quê as relações estão tão líquidas? Nascemos no século errado?” (B. Passarela)
Resposta do Diretor:
Cara pessoa leitora, as relações estão mudando, e o principal fator, segundo nossos especialistas, são as mudanças climáticas. Não são apenas as geleiras do Polo Norte que estão derretendo. Nossos estudos indicam que relacionamentos antes sólidos estão se tornando cada vez mais líquidos em razão das transformações climáticas provocadas pela ação humana no planeta. No fim das contas, a culpa acaba sendo sempre de um homem.
Por isso, lembre-se: uma árvore derrubada na Amazônia pode desencadear uma infidelidade no Centro Acadêmico de Biologia - madeira cai no norte, madeira sobe no câmpus, numa sexta-feira qualquer, justamente enquanto você assina a lista de presença para essa pessoa amada em uma aula de Botânica.
No caminho do amor
“Devo desistir de uma carreira internacional por um grande amor no Brasil ou desistir de uma carreira nacional por um grande amor no exterior” (Ari Brito)
Resposta do Diretor:
Cara pessoa leitora, não se vive de pesquisa acadêmica, é uma área ingrata, não faça suas escolhas com base em carreira (se ela for acadêmica), todavia, amor não enche barriga também (exceto com gravidez), sua carreira é algo importante.
Então, compre uma bicicleta e entregue flores. Com certeza fará uma grande carreira pedalando e verá grandes amores, não os seus, claro.
Dúvida filosófica
[resumi, estava muito grande - todo corno se acha um bom escritor - apagar na edição essa parte, por favor ~ editor42]
“Eu estava feliz demais, então o universo interveio. Uma semana após meu aniversário, descobri que meu namorado conversava com outras mulheres. O timing foi impecável: aniversário, fim da greve, Dia dos Namorados e aniversário de namoro arruinados de uma vez só. Mas, segundo ele, não houve traição. Afinal, ele me amava.
Percebi que estava diante de uma nova filosofia amorosa: você flerta escondido, mas continua sendo um ótimo namorado porque os sentimentos são verdadeiros.
Minha dúvida é se essa corrente já tem nome ou se testemunhei o surgimento de uma nova escola do pensamento amoroso contemporâneo.” (Reginaldo, que pediu, por óbvio, anonimato)
Resposta do Diretor:
Cara pessoa leitora, agradecemos pela mensagem. Lamentável o ocorrido, mas que felicidade o ocorrido não ser com nenhum de nós. Como o senhor Sigmund Freud dizia “amor verdadeiro, só o de mãe”.
É importante observar que o infiel está quase certo em um ponto: ele amava. Mas não é por isso que não é traição, é justamente por isso que é traição: só traí quem ama. Ninguém consegue trair uma pessoa que odeia. A pessoa tem que primeiro amar, começar uma relação, para só depois trair. E aqui não é uma sugestão para você voltar com o corneador, pois é socialmente reprovável reatar a relação depois de uma traição. Nossa sugestão é nunca descobrir. Como George Berkeley dizia “só não é corno quem nunca descobriu” ou quem abriu a relação.
Por fim, poderíamos tentar dar nomes aos bois (sem trocadilho com cifre, traição, gado, corno etc), mas não está testemunhando nenhuma nova corrente filosófica, é apenas o ethos dos amores, principalmente quando são uspianos.
Quero um amor
Acabei de entrar na usp, quando é que a usp vai entregar minha namorusp? (F. Café)
Prezado pessoa leitora,
Se você for alguém da FFLCH, humanidades: Saiba que pessoas não são objetos, não é algo que você ganha, que alguém entrega para você, não é algo para possuir. Ninguém é posse de ninguém. E por qual razão não é “meu namorusp”, ou “mes namoresusp”, ou “afetusp”? Já pensou nas portas que está fechando, ou talvez naquelas que não quer abrir, às vezes abrindo para todo mundo?
Se você for alguém da FEA, a nossa Faria Lima (mais farinha do quê lima): saiba que as coisas não são dadas, você tem que correr atrás! Ninguém vai te dar uma namorada, não se dá o peixe. Você tem que usar sua vara. E se não conseguir, talvez a mão invisível do mercado já tenha pego ela.
Se você for da matemática, o que provavelmente é pela pergunta: Foca nos estudos. Será melhor.
Me nota, me namora
“Olá, saruê. Bem simples: estou apaixonada por ela, ela nem sabe que eu existo, ela é mais concorrida que vaga de natação no CEPEUSP. O que eu faço? E se eu levar um fora?” (Girl in Red)
Resposta do Diretor:
Cara pessoa, a resposta é óbvia: nunca fale com ela e não leve um fora. A melhor forma de amar é a platônica, a distância, escondida. Uma relação que não acaba, por certo nunca começou. Mantenha essa sua paixão assim: mais distante que o reitor dos alunos.
E se um dia ver ela com outra pessoa, pense que é uma relação aberta. Tenho certeza que seguindo assim será uma relação duradoura, sem brigas e intensa.
Cantadas e declarações
De S.S. para M. P.:
Você é tão bonita que era duas aulas e acabou o semestre.
De Bruno B. para Você sabe Quem:
Se eu fosse a USP, meu central seria só seu, bb <3
De S. B. para M.R.S.T.:
Assim como os tetos da USP, estou caidinho por você.
De R. A. para M.S.:
Te amaria até se você fosse uma larva do bandejão!
De M.P. para Valentina:
Saiba que por você eu estou igual aos livros da biblioteca feusp: molhadinha. 😉
De A. Ísio para T. Ísio [link]
Foi você quem me escolheu
Quando entrou no meu mar
Navegou, não quis saber
E atracou no meu cais
E agora quer me deixar
Não, não posso aceitar
Quem jamais vai separar
O navio e o mar
Sem ninguém (sem ninguém)
Por favor, compreenda
Sem ninguém
Sem ninguém, numa ilha só
