Conhecerás a verdade e preferirás a mentira

Edição #0020

CIDADE UNIVERSITÁRIA, 03 DE JULHO DE 2026

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ENTREVISTA COM O REITOR PORTO SEGURO

Trecho da reportagem do Grande Estado, jornal autorizado a entrevistar o reitor.

Sobre a expulsão dos alunos que ocupavam o prédio da reitoria, o senhor viu as imagens? Achou que houve excesso dos policiais?

Eu fiquei triste com aquelas imagens. Mas, imediatamente eu comecei a rir… Eu lembrei de uma piada! Assim, é difícil, eu não posso julgar a ação, eu não posso julgar o que se passa no coração de cada policial. A PM bate? Sim, bate. Mas por baixo daquela farda preta bate muito mais um coração que quer só ser compreendido. 

A entrada da polícia para retirar os estudantes da reitoria foi um pedido do senhor?

Falar que foi um pedido meu é muito forte! Eu disse para o capitão da PM no local: “olha, teve  um invasor ali que disse que duvida muito que a PM retire eles numa madrugada. Falou que na corporação só tem frouxo, que vocês entraram na polícia só para passar o dia com a mão na pistola e que uns aí era melhor terem entrado para bombeiro pra poder boiar com essa barriga enorme”.

O senhor parece ter incitado.

Mas não foi um pedido…

Por qual razão o senhor fez isso logo no dia das mãe?

Bom, não dava pra esperar o dia dos pais, né? E que mãe não iria querer passar o dia das mães com seus filhos? Eu vejo com um ato de amor. E, aquilo que se faz por amor está sempre além do bem e do mal.

E a moradia estudantil, como o senhor avalia a situação do Crusp? Dá para dizer que é excelente?

Não é uma coisa que se diga ‘nossa, que excelência! Que coisa maravilhosa! Que cinco estrelas!’, mas é honesta! Eu lembro que quando morei em Marabá, no Pará,  fiz trilha com os amigos, fiquei em barracas minúsculas, bebi água do rio… foi uma experiência! Acho que todo universitário tem que passar por uma experiência assim. Se a vida for mil maravilhas, que histórias eles terão para contar? A universidade é uma promotora de experiências e espero estar criando muitas memórias!


BURACO NO CENTRAL

No dia 20 de maio de 2026, parte do forro do Restaurante da Central da Universidade de São Paulo desabou, deixando um buraco no teto. Devido aos entraves burocráticos, o buraco do Central, apelidado carinhosamente pelos alunos de “hemorroida do Central”, ainda não foi fechado. Assim, toda uma ala do restaurante continua interditada e, segundo um funcionário, “o buraco está crescendo, cada dia que olho para ele, ele parece olhar pra mim e estar maior. Antes, devia ter uns 2 metros e meio de diâmetro e, agora, já deve tá com quase 8 metros de circunferência”.

A Superintendência do Espaço Físico Universitário e Diagnósticos (SEFUD-USP) disse que não pode resolver ainda o problema: “Ao contrário da PM, a USP não pode só chamar uma empresa de manutenção e eles já aparecem. Temos um longo processo por conta da nova lei de licitação. De qualquer forma, a boa notícia é que o pregão do Central já está aberto. Ainda não tivemos nenhuma proposta decente. Tenhamos fé e paciência!

Com fotos e vídeos dos restaurantes viralizando pela internet durante a greve, o governo indiano, por meio da India Corner do Centro Intercultural Internacional da USP, se compadeceu da situação e doará mil rúpias para a reforma do restaurante. O Reitor disse, em publicação nas redes sociais, que “Aceitaremos a doação de nosso parceiro do BRICS! É o começo de uma grande rede de solidariedade. Devemos trabalhar juntos para resolver a situação, cada setor da universidade ajudando, com mil da Índia, com mil do SINTUSP, com mil do DCE, com mil da Pró-Reitoria e com mil de todo mundo, a gente resolve o problema. Não ficará um buraco no Central de vocês! Eu prometo!”.


GAMBITO DO REI

Após a greve dos funcionários, a Universidade de São Paulo (USP) promete dar mais 50% de aumento para os servidores técnicos e administrativos.

Os trabalhadores da USP são excelentes! Essa nova medida mostra como valorizamos o trabalho de cada trabalhador pago pela universidade”, disse o reitor ao anunciar o aumento de 50% da carga de trabalho para os funcionários.

O Sindicato dos Trabalhadores da USP (SINTUSP) comemorou o aumento. Mas, logo em seguida, ficou triste por ser de trabalho. Em nota, afirmaram: “TRABALHADORES DA USP! Não podemos aceitar calados mais esse absurdo vindo da reitoria! Nosso pedido de aumento é de salário, não de trabalho! Qual o próximo passo? Implantar um chip nos trabalhadores? Mais respeito, reitoria!”.

Consultada pelo jornal O Saruê da Verdade, a reitoria afirmou que escuta os trabalhadores e que em breve atenderá ao pedido de implantar chips em cada trabalhador. “Estamos criando um novo curso, o de Engenharia Eletrônica e de Sistemas Computacionais na Poli, justamente para implementar a modernização da universidade para a garbosa sociedade paulista”, afirma a reitoria.


NOTA DO DIRETOR:

Prezadas pessoas, é com muita alegria no coração tranquilo, à 120-240 batimentos por minuto, que chegamos em 20 edições! Conseguimos chegar aqui graças ao esforço de muita gente que tentou fazer a gente desistir. Graças a elas, continuamos tentando pelo simples fato do desgosto alheio. Por fim, agradecemos a cada pessoa leitora e as pessoas que colaboram com o jornal.

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