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INVESTIGAÇÃO DO JORNAL O SARUÊ DA VERDADE REVELA O INACREDITÁVEL!
Editor reage “inacreditável!”, diretor brada “credo quia absurdum”. Resta, ao leitor, confiar!
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O BURACO
Uma série de idas e vindas envolvendo a reforma do Restaurante Central começou a despertar, entre nossa equipe louca por um furo, a suspeita de que havia algo maior acontecendo bem debaixo dos nossos bigodes.
Nossa equipe de repórteres, olheiros e ouvidores, desses que desceriam do ônibus circular para continuar ouvindo uma boa notícia alheia, descobriu o impensável: o reitor está comendo no bandejão central.
Como revelado nas edições anteriores do jornal O Saruê da Verdade, após vídeos e imagens do restaurante terem viralizado nas redes sociais, mostrando a situação precária das instalações, o governo indiano e vários outros parceiros do BRICS+ resolveram doar uma quantia para a reforma e modernização do espaço.
O dinheiro foi prontamente aceito e recebido com pulinhos de alegria pela USP. Porém, conforme revelou ao jornal um servidor que preferiu permanecer anônimo, o dinheiro se perdeu no caminho. Questões burocráticas e de gestão, a nova lei de licitações e o novo modelo Kanban 2.0, que está sendo implementado na universidade, teriam feito o fundo da reforma secar como as caixas-d’água do Conjunto Residencial da USP, não sobrando uma gota.
Falta de dinheiro nunca foi problema para a USP. Sendo, inclusive, a solução para boas desculpas da administração. O dinheiro doado, no entanto, estaria vinculado à visita dos doadores ao restaurante.
Com isso, segundo nossa fonte, “a reitoria se viu em uma sinuca de bico, mais perdida que jabuti em alagamento, mais rodada que catraca do bandejão no dia em que servem o especial de Natal”.
Era preciso encontrar uma solução. E, para desatar o nó górdio, a reitoria tomou uma decisão ousada: criar um Restaurante Central cenográfico para receber os doadores.
O PLANO
Com o Restaurante Central sem a prometida reforma e o dinheiro arrecadado na campanha da USP ('Um PIX para ver o nosso Central aberto e bem cuidado') esgotado, a Reitoria foi obrigada a improvisar.
Como o jornal O Saruê da Verdade não se furta a levar informação aos nossos leitores, mesmo quando não a temos, o que se segue é a transcrição do que poderia ter sido a gravação da reunião, conforme nossa fonte segura nos relatou.
👷♀️: Acabou o dinheiro do fundo para reforma do central…
👨💼: Ótimo!
👷♀️: A gente não terminou a reforma…
👨💼: E eu não como não central.
👷♀️: É, mas o grupo de doadores do BRICS falou que queriam fazer uma visita para comer após a reforma.
🏌️♀️: É só levar eles no suédem, tá resolvido.
👷♀️: Eles viram fotos do central.
👨💼: Por#a, mas vocês… [trecho inaudível] na PM.
🏌️♀️: Fuvest não seleciona mesmo, hein? É só fazer um restaurante cenográfico, chamar uma galera daquele curso de atores da usp, promete umas bolsas, uns pau de selfie, sei lá, diz que vai ser um teatro experimental disruptivo pós-moderno imersivo transgressor, inventa umas palavras de jovens de internet. Só resolve isso!
👷♀️: É, mas o reitor vai precisar ir também. Além disso, se os doadores compartilharem a localização do lugar em alguma foto, vão perceber que não é o central.
👨💼: Ôh, Maria Problema, você é fazedora de prova da Fuvest, é? Só traz problema pra reunião. Cadê o espírito feano de pensar out box?
👷♀️: E se a gente criar um pequeno central cenográfico no meio do central? Um pequeno restaurante dentro do restaurante atual. Podemos construir um túnel que liga a reitoria com o centro do central. Os convidados podem ser recebidos na reitoria e levados pelo túnel naquele carrinho que a gente ganhou da citroen. Não chama atenção de ninguém, eles passam despercebidos, o mapa vai mostrar que é o central, servimos comida do sueden, compramos bandejas exclusivas para evitar usar a do central, servimos suco que é suco mesmo, contratamos uns 10 atores da escola lá de ator e pronto! Resolvido!
🏌️♀️: Que loucura tudo isso! Tô até me tremendo! Ninguém desconfiaria de tudo isso! Nem a po#ra daquele jornal idiota daqueles piralhos! Agora tu pensou! É isso! Esse é o espírito! Essa cabeça aqui só a FEA tem, gente!
👨💻: E a terra?
👷♀️: Que terra? O planeta terra?
👨💻: A terra que vamos remover para fazer o túnel.
🏌️♀️: Joga por aí, meu irmão! Espalha pelo campus, bota na comida dos alunos, esse problema aí é o mais simples de resolver.
E O FEITO
No dia 13 de julho de 2026, o Restaurante Central foi fechado para reforma. As obras demorariam onze dias. Porém, nas primeiras horas de trabalho, chegou a informação, via malote digital, de que o dinheiro destinado à reforma estava perdido.
Mesmo sem o dinheiro para a reforma, os trabalhadores contratados estavam obrigados a continuar o serviço. O contrato estipulava, como contraprestação pelo trabalho, o acesso ao café, ao almoço e ao jantar, o que não ocorreu, pois o restaurante que, pelo contrato, serviria as refeições seria o Restaurante Central, que, naquele momento, estava fechado para reforma.
No dia 24 de julho, último dia do primeiro prazo, com os trabalhadores revoltados por passarem mais de uma semana comendo pão seco, barrinhas de chocolate e pó para bebida sabor tipo laranja, um trabalhador decidiu tapar o buraco do teto.
Às 16h20 do dia 24, os trabalhadores receberam a notícia de que as obras continuariam até o dia 30 de julho. O serviço agora consistia em fazer um restaurante no meio do Central, construir um túnel ligando a Reitoria ao restaurante e abrir novamente o buraco do teto. O objetivo da reabertura do buraco era distrair os alunos para que não notassem o restaurante secreto no meio do Central.

O jornal O Saruê da Verdade teve acesso também a um relatório da Faculdade de Engenharia de Alimentos. Nele, para viabilizar o escoamento de terras do túnel, os pesquisadores calcularam quantas gramas de terra cada aluno poderia comer sem perceber. Em um mês, foi possível chegar a 8,4 toneladas, com 50 gramas de detritos para cada aluno. Esse volume, porém, não seria suficiente para atingir 7 mil toneladas. Assim, foi preciso também espalhar vários montes de terra pelo campus, sem que ninguém notasse o grande volume total.


